O Anjo Gabriel foi-se de vez, estou por mim. Despedimo-nos de abraço. Limpei-lhe o rosto e disse-lhe que não chorasse, que não se deixasse consumir pela saudade, que a usasse como força: isto não é um fim, é um novo começo. Assim espero.
Como disse, no outro dia fui visitar umas obras de outros viadutos do Rodoanel Mário Covas (deve ser tipo a CREL de São Paulo... ou CRIL... faço lá ideia por onde é que essas gajas andam...). Foi só pena ter ido com a malta de coordenação, claramente menos apaixonada que eu pelos trabalhos em curso. Foi apenas a minha segunda visita à obra enquanto projectista (estagiário, vá) e tão cedo não devo ter outra oportunidade. É triste.
A construção deles é, de facto, bastante primitiva. A mão de obra é tão barata e a regulamentação ainda é permissiva em relação a uma data de barbaridades, não se utilizando máquinas em grande parte dos trabalhos. Os tubulões (é como uma estaca, com um alargamento da base... no fundo é uma fundação directa mas profunda, funcionamento essencialmente por ponta... para os eruditos... que andem aí!!) são escavados a balde. Imaginem um buraco com 1,20 m de diâmetro (mínimo regulamentar - para caber lá um homem) e mais de 10 m de profundidade (cerca de 3 andares) escado à mão... O buraco vai sendo revestido com uma camisa de betão com mais ou menos 20cm de espessura sobrando um buraco com 80 cm de diâmetro para um cara trabalhar. Não é de estranhar que de vez em quando fique lá um enterrado. Mais: em terrenos com água, por exemplo ao pé de um rio, para a água não entrar, o buraco é pressurizado com ar comprimido. Dizem que quem trabalha nessas condições não passa dos 50 anos. Também não é de estranhar que durante a descompressão do buraco as paredes possam colapsar... Violentíssimo.
Assuntos mais animados: nessa noite fui ao teatro. Por sugestão da Ana Paula (essa mesmo), fui assistir a uma amostra de teatro portugês. Enquanto estava à espera que a peça começasse, pareceu-me reconhecer a Ana Bustorff, sentada três filas atrás da minha, sozinha. Depois de ter tirado uma fotografia ao "espaço", de ter bebido duas vezes água a olhar para trás e de ter ido "atender uma chamada" lá fora, lá confirmei a sua identidade e, devolvido o sorriso, ofereci-lhe gratuitamente a minha companhia. Ainda falámos muito... mais eu do que ela... pelos vistos já viveu no Rio e odeia segundas-feiras... demo-nos bem. Despedimo-nos com um até já, parece que a minha amiga Ana (a Bustorff, não a Paula) actua no sábado e no domingo. Relativamente à amostra, foi 1h30 de monólogo num palco vazio. O sacana era extraordinário, fez rir, enfureceu-se até se babar e acabou a chorar: intensíssimo. Pelo menos frágil fiquei.
Tenho feito um esforço por correr. O esforço até agora resultou em duas corridas no espaço fitness do hotel e no encontro Ana Paula. Até agora está a valer!







Ouve lá ! que estás tu a fazer ali quando estás a esforçar-te ao máximo ? nunca me enganás-te
ResponderExcluirAh ! Cimento ! como pode uma pessoa não gostar de um bom betão ?
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