quarta-feira, 19 de março de 2014

Ana Paula

Primeiro final de semana sozinho: conheci o bairro, andei por algumas feiras de rua (já estou arrependido de não ter comprado uma piranha embalsamada), comprei um pandeiro, vi o edifício Copan (incrível ao vivo), lavei roupa no banheiro e, mais fixe de tudo, quase vi uma cena de pancadaria/tiro... estava a andar e vi uma senhora poça de sangue no chão - uns 200 ml na boa - e uma data de malta a correr atrás de um gajo... coitado... tudo aos gritos... 
Comprei um pandeiro. Pormenor interessante, São Paulo é grande como o raio, mas as lojas de especialidade estão altamente concentradas. Na rua onde eu comprei o pandeiro, contei (para baixo fiquei maluco, para cima vim a contar) 42 lojas de música, todas ao lado umas das outras, concentradas em mais ou menos 10 quadras. Quando comentei com o pessoal, disseram-me que era mesmo assim, igual para loja de artigos para motas, equipamento fotográfico, artigos para sadomaso, etc...Como é que esta malta sobrevive toda?

O patrão voltou (demos abraço) e com novidades: devo ir passar uma semana por mês ao Rio! Vou trabalhar no projecto da Aldeia Olímpica que, no fundo e pelo que eu percebi, vai ser um fusão entre um terminal de metro à superfície e um mega espaço desportivo, com estádio de futebol, pista de atletismo... tipo cidade universitária... não consigo imaginar melhor... O engraçado é que vou trabalhar com uns franceses... que só falam francês... Hão de ser semanas bem animadas.

Não é novidade que eu já não sou o petisco que era nos meus tempos de estudante. As fartas refeições e orgulho masculino que não admite que o prato seja levantado ainda com comida deram nesta
Decidi então dar uma corridinha pelo Ibirapuera (Central Park de São Paulo) ao final do dia. Estava perdido debaixo de uns viadutos, zonas sempre amigáveis para malta menos orientada, e tentei pedir indicações a uma jovem que, mal me viu, masculino, suado e em grande velocidade, se pôs a fugir... parecendo que não, não é fácil convencer alguém que se é amistoso quando se tem este porte e se tem de ganhar terreno para mostrar que não se é perigoso... mas lá a convenci da minha bondade. Quis quem manda que a garota também estivesse perdida e com o mesmo destino . A menina chamava-se Ana Paula e era uma moça do interior do Brasil que largou tudo para vir tentar a sua sorte em São Paulo como actriz... pobre Ana Paula... Tinha chegado há uma semana e ia ver uma amostra gratuita de teatro argentino (tamo junto Cata!), integrante de um ciclo de teatro internacional. Meia hora numa fila enorme e, mesmo quando chega a nossa vez, " Os ingressos acabaram"... "po... fala a sério"... da desilusão nasceu a alegria: ficámos junto da senhora e acabámos por ficar com uns bilhetes de convidados VIP que não apareceram... tenho uma sorte danada.......... Sem querer estragar a história, a peça era média... não era bem drama... não era bem comédia... ficou a meio caminho... e os lugares VIP também eram ruins... mas para a história isso não interessa. Não te preocupes querida Leonor que o destino descolorou o cabelo da Ana Paula naquele tom branco-esverdeado, pelo que a sua participação na minha vida terminou aqui.

Quinta feira vou visitar umas obras... de pontes... que sonho!

Um beijo


 
 
Cantinho português
 
Acarajé, prato típico baiano, que é uma mixórdia de tudo... não é incrível
 
Lavagens e eu, atrevido
 
 
 
 

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