sexta-feira, 28 de março de 2014

Concerto à la carte

Da peça "Concerto à la carte" com Ana B.u.s.t.o.r.f.f sabia um par de coisas: era um monólogo de 1h30 e metia Ana B.u.s.t.o.r.f.f ao barulho... Acabei por chegar ao Teatro João Caetano em cima do espectáculo. Cheguei lá " Os ingressos acabaram"... "po... fala a sério"... Casa cheia para ver "Concerto à la carte" (com Ana B.u.s.t.o.r.f.f). Parece que a peça não tinha tido a adesão esperada no dia anterior, tendo-se optado por sentar o público numas cadeiras no palco criando assim um ambiente mais intimista e menos constrangedor para a actriz, passando a lotação de cerca de 200 pessoas para 50. Depois de aplicar algum charme lá acabei por conseguir arranjar um lugar sentado no chão ao lado do palco...

A primeira cena começou com Ana a entrar em casa. Ela arrumou as compras, ela cozinhou, ela viu televisão (Preço certo com Fernando Mendes, Lenka em grande forma), ela tomou uma refeição ligeira, ela foi à casa de banho (já lá vamos), ela ligou o rádio, ela maquilhou-se, ela dançou, ela despiu-se (também já lá vamos), ela vestiu-se, ela deitou-se, ela suspirou e adormeceu... Ela saiu de cena e voltou três vezes para agradecer os aplausos. Foi 1h30 de Ana B.u.s.t.o.r.f.f a fazer a sua vida com um programa de rádio música erudita como banda sonora - Concerto à la carte. No fundo a peça pretendia espelhar mais um dia na vida dessa mulher anónima e solitária com quem nos cruzamos todos os dias na rua e a quem não retribuímos o sorriso...

Passando ao primeiro ponto que deixei por atender: a ida ao banheiro. Até ao momento, a peça ia relativamente calma, com Fernando Mendes e Lenka a serem os protagonistas. A Ana sai da divisão sala/cozinha/dormitório e entra numa outra às escuras, liga a luz: banheiro! Até aqui tudo bem. Ela levanta a tampa da retrete, desaperta o primeiro botão (oh diabo…), baixa a calça, baixa a calcinha e simula uma defecação. Para o público acabou por ser o momento cómico da noite, ela estava meio de ladex pelo que não viram mais do que uma coxinha à mostra. Agora eu, que estava ao lado do palco, e pelos vistos no lado errado, é que vi mais do que queria.

Venha o segundo. Ana prepara-se para ir dormir. Vai apagando as luzes, lava os dentes, mija (...), escova o cabelo... Tira os sapatos, tira a roupa, fica em lingerie. Até aqui não desconfiei de nada, apesar de tudo, achava que o desaire relatado no parágrafo anterior não tinha passado de um acidente. E depois tira tudo, ficando peladona a 5 metro do público! E até que foi uma cena bonita. Ela nua, muito elegante, diria até que foi bailarina, lavando-se com um pano molhado e temperando-se com pó de talco. Não deve ser fácil para uma mulher de 50 e não sei quantos anos estar sozinha, do outro lado do mundo, num teatro menor, exposta daquela forma.

Acabei por ter não ter grande cara para ficar à espera dela. Admitamos que o ambiente seria pesado.Teria tido a sua graça, depois do primeiro encontro. Hoje, deitado, suspiro... estou arrependido.


sexta-feira, 21 de março de 2014

Visita à obra e Encontros imediatos com Ana Bustorff

O Anjo Gabriel foi-se de vez, estou por mim. Despedimo-nos de abraço. Limpei-lhe o rosto e disse-lhe que não chorasse, que não se deixasse consumir pela saudade, que a usasse como força: isto não é um fim, é um novo começo. Assim espero.

Como disse, no outro dia fui visitar umas obras de outros viadutos do Rodoanel Mário Covas (deve ser tipo a CREL de São Paulo... ou CRIL... faço lá ideia por onde é que essas gajas andam...). Foi só pena ter ido com a malta de coordenação, claramente menos apaixonada que eu pelos trabalhos em curso. Foi apenas a minha segunda visita à obra enquanto projectista (estagiário, vá) e tão cedo não devo ter outra oportunidade. É triste.
A construção deles é, de facto, bastante primitiva. A mão de obra é tão barata e a regulamentação ainda é permissiva em relação a uma data de barbaridades, não se utilizando máquinas em grande parte dos trabalhos. Os tubulões (é como uma estaca, com um alargamento da base... no fundo é uma fundação directa mas profunda, funcionamento essencialmente por ponta... para os eruditos... que andem aí!!) são escavados a balde. Imaginem um buraco com 1,20 m de diâmetro (mínimo regulamentar - para caber lá um homem) e mais de 10 m de profundidade (cerca de 3 andares) escado à mão... O buraco vai sendo revestido com uma camisa de betão com mais ou menos 20cm de espessura sobrando um buraco com 80 cm de diâmetro para um cara trabalhar. Não é de estranhar que de vez em quando fique lá um enterrado. Mais: em terrenos com água, por exemplo ao pé de um rio, para a água não entrar, o buraco é pressurizado com ar comprimido. Dizem que quem trabalha nessas condições não passa dos 50 anos. Também não é de estranhar que durante a descompressão do buraco as paredes possam colapsar... Violentíssimo.
Assuntos mais animados: nessa noite fui ao teatro. Por sugestão da Ana Paula (essa mesmo), fui assistir a uma amostra de teatro portugês. Enquanto estava à espera que a peça começasse, pareceu-me reconhecer a Ana Bustorff, sentada três filas atrás da minha, sozinha. Depois de ter tirado uma fotografia ao "espaço", de ter bebido duas vezes água a olhar para trás e de ter ido "atender uma chamada" lá fora, lá confirmei a sua identidade e, devolvido o sorriso, ofereci-lhe gratuitamente a minha companhia. Ainda falámos muito... mais eu do que ela... pelos vistos já viveu no Rio e odeia segundas-feiras... demo-nos bem. Despedimo-nos com um até já, parece que a minha amiga Ana (a Bustorff, não a Paula) actua no sábado e no domingo. Relativamente à amostra, foi 1h30 de monólogo num palco vazio. O sacana era extraordinário, fez rir, enfureceu-se até se babar e acabou a chorar: intensíssimo. Pelo menos frágil fiquei.

Tenho feito um esforço por correr. O esforço até agora resultou em duas corridas no espaço fitness do hotel e no encontro  Ana Paula. Até agora está a valer!
Um beijo

Pilar-estaca

Sim ,vai um cara lá dentro

Eu em obra, com o projecto debaixo do braço (para os mais distraídos)
 
Malhando na academia
Eu a dar quase o meu máximo
Eu na amizade com Ana Bustorff
 
 

quarta-feira, 19 de março de 2014

Ana Paula

Primeiro final de semana sozinho: conheci o bairro, andei por algumas feiras de rua (já estou arrependido de não ter comprado uma piranha embalsamada), comprei um pandeiro, vi o edifício Copan (incrível ao vivo), lavei roupa no banheiro e, mais fixe de tudo, quase vi uma cena de pancadaria/tiro... estava a andar e vi uma senhora poça de sangue no chão - uns 200 ml na boa - e uma data de malta a correr atrás de um gajo... coitado... tudo aos gritos... 
Comprei um pandeiro. Pormenor interessante, São Paulo é grande como o raio, mas as lojas de especialidade estão altamente concentradas. Na rua onde eu comprei o pandeiro, contei (para baixo fiquei maluco, para cima vim a contar) 42 lojas de música, todas ao lado umas das outras, concentradas em mais ou menos 10 quadras. Quando comentei com o pessoal, disseram-me que era mesmo assim, igual para loja de artigos para motas, equipamento fotográfico, artigos para sadomaso, etc...Como é que esta malta sobrevive toda?

O patrão voltou (demos abraço) e com novidades: devo ir passar uma semana por mês ao Rio! Vou trabalhar no projecto da Aldeia Olímpica que, no fundo e pelo que eu percebi, vai ser um fusão entre um terminal de metro à superfície e um mega espaço desportivo, com estádio de futebol, pista de atletismo... tipo cidade universitária... não consigo imaginar melhor... O engraçado é que vou trabalhar com uns franceses... que só falam francês... Hão de ser semanas bem animadas.

Não é novidade que eu já não sou o petisco que era nos meus tempos de estudante. As fartas refeições e orgulho masculino que não admite que o prato seja levantado ainda com comida deram nesta
Decidi então dar uma corridinha pelo Ibirapuera (Central Park de São Paulo) ao final do dia. Estava perdido debaixo de uns viadutos, zonas sempre amigáveis para malta menos orientada, e tentei pedir indicações a uma jovem que, mal me viu, masculino, suado e em grande velocidade, se pôs a fugir... parecendo que não, não é fácil convencer alguém que se é amistoso quando se tem este porte e se tem de ganhar terreno para mostrar que não se é perigoso... mas lá a convenci da minha bondade. Quis quem manda que a garota também estivesse perdida e com o mesmo destino . A menina chamava-se Ana Paula e era uma moça do interior do Brasil que largou tudo para vir tentar a sua sorte em São Paulo como actriz... pobre Ana Paula... Tinha chegado há uma semana e ia ver uma amostra gratuita de teatro argentino (tamo junto Cata!), integrante de um ciclo de teatro internacional. Meia hora numa fila enorme e, mesmo quando chega a nossa vez, " Os ingressos acabaram"... "po... fala a sério"... da desilusão nasceu a alegria: ficámos junto da senhora e acabámos por ficar com uns bilhetes de convidados VIP que não apareceram... tenho uma sorte danada.......... Sem querer estragar a história, a peça era média... não era bem drama... não era bem comédia... ficou a meio caminho... e os lugares VIP também eram ruins... mas para a história isso não interessa. Não te preocupes querida Leonor que o destino descolorou o cabelo da Ana Paula naquele tom branco-esverdeado, pelo que a sua participação na minha vida terminou aqui.

Quinta feira vou visitar umas obras... de pontes... que sonho!

Um beijo


 
 
Cantinho português
 
Acarajé, prato típico baiano, que é uma mixórdia de tudo... não é incrível
 
Lavagens e eu, atrevido
 
 
 
 

sábado, 15 de março de 2014

Maur'humorado e o primeiro pé de dança

Como cantava o Vinicius, ou o Jobim, um deles, tristeza não tem fim, felicidade sim.


O Anjo Gabriel partiu para o Rio na 4ª feira: José entregue aos lobos com uma reunião no dia seguinte na entidade equivalente à Estradas de Portugal no Brasil, com um tal de Mauro. Tipo altamente conservador e tão maldisposto e agressivo que é tratado por Maur'humorado. Disseram-me para ter calma e para não ficar ofendido irreversivelmente com o tratamento. A verdade é que o Maur'humorado desancou o tipo "avaliado" que achou que era boa ideia falar antes para sair mais cedo e sobrou pouco para mim, tendo-se revelado um docinho, com piadinhas e quase um sorriso.  

Quinta feira tive o meu primeiro evento social. Chegou a Mariana Gama, amiga da Leonor, e quase amiga da Catarina (?), de passagem curta de dois dias depois de ter estado no Rio e antes de ir para Buenos Aires. Fomos, nós mais um "casal amigo", jantar a uma pizzeria num bairro chamado Higienópolis. Com um nome destes tinha de ser um bom bairro. 
Acabámos a noite a ouvir e dançar um sambinha ao vivo. Que pena não termos espaços semelhantes em Lisboa. Espaços giros, baratos, com música animada, ao vivo, boa para dançar a dois.

Sexta feira, a típica tempesta a meio da tarde perdeu a cabeça e cortou a energia da malta toda ali à volta. Trovoadas à homem. Blackout total na empresa, pessoal a ir para casa mais cedo e malta a correr para o carro com medo que as águas o tivessem levado - " Já aconteceu". Aproveitou-se e praticou-se o team-building no bar da esquina.

Blackout na empresa
4- Team-building com a malta de geologia

Um beijo
 
 
Cerveja Devassa
 
 

Eu nada bêbado... agora a sério, juro que foi do flash... juro...


 


 

terça-feira, 11 de março de 2014

Primeiras impressões

Amigos!
A grande aventura laboral do José começou apontada ao céu: começou com  uma daquelas cenas querias-um-aperto-de-mão-mas-levas-um-par-de-beijos-em-cima entre Anjo Gabriel e a minha irmã Paquica, que já sofria por antecipação desse mesmo confronto desde que entrou no carro - um clássico. 
Refeições aéreas regadas a vinho tinto (almoço e lanche) e o fosso social recomendável entre patrão e seu subordinado deu lugar a uma amizade que, até ao momento, se tem revelado muito bonita. 

Acho que acabei de ouvir um tiro.

Estou a trabalhar numa empresa brasileira que nos subcontratou para fazer uns viadutos, num edifício com cerca de 300 pessoas. Até agora muita burocracia, é preciso autorizações e requerimentos para tudo. Mas gente muito acessível e danada para a brincadeira. A ver se não me entusiasmo demasiado... há sempre o perigo de eles não serem tão tolerantes quanto parecem... Não seria a primeira vez...

Estou a morar no 12º andar de um hotel a 10 min a pé do meu local de trabalho. Talvez por ser ao pé de um parque grande - Parque Ibirapuera - a paisagem é uma mixórdia de árvores tropicais e prédios, parecendo-se muito com África (com a ideia que eu tenho dela, pelo menos). Segundo a malta da Planservi, é uma zona ruim, pelo que é possível que seja transferido para uma zona mais animada.

link para o google maps:

Dezassete " Oi!? Num entendgi" 's e uma molha, à data.

Um beijo