Não podia ter apanhado pior altura para chegar. Cheguei no primeiro dia da empresa nas novas instalações: grande confusão, caixas para uma lado, caixotes para outro, telefonemas aos gritos, reuniões em open spaces, sem computador para mim, sem internet para ninguém: tudo à mocada. Pior: tínhamos internet, mas lenta ao ponto de revelar a natureza luciférica que habita adormecida em cada um de nós... até ser invocada...
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| Palavras sábias de uma das grandes referências da minha vida |
No final das arrumações houve tempo de confraternização e de boas vindas ao novo espaço, com direito a discurso do CEO no meio da malta ao nível do discurso do Presidente dos EUA no
Dia da Independência... ou mesmo n'
O lobo de Wallstreet. Tudo maluco no final, abraços, hurras, melos... até eu admito que talvez me tenha entusiasmado com as palavras do tipo e tenha gritado O
h Captain, my Captain em cima da mesa...
Tenho vindo a realizar que tenho sérios problemas com a autoridade imposta. Estava eu bem habituado à estrutura horizontal das novas soluções de engenharia e à sensatez e abertura da capitania à discussão... e cá já foram tomadas várias decisões erradas apesar da minha contra-argumentação (fortíssima), já me impuseram prazos insensatos e, veja-se, já me deram até um par de ordens... Não podia ser de outro jeito numa empresa grande, mas faz-me alguma confusão esta hierarquia muito marcada, malta a dar ordens a outra. Enquanto que a dívida eterna que tenho com a minha mãe me obriga a prestar-lhe vassalagem sem ripostar, com estes tipos estou entre o cliente tem sempre razão e o não és meu pai, não mandas em mim... Talvez tenha passado uma ou outra vez das marcas... já me responderam até Nossa... você é muito directo... O tipo acima de mim no Rio era algo nervoso, a falta de internet/arquitectura actualizada e as responsabilidades delegadas pelo seu superior que estava de férias davam cabo do pobre coitado. Então mandava-me repetidamente fazer coisas que não me competiam... INDOMÁVEL!!
Admito que o meu sorriso diplomático já foi mais rasgado e a gargalhada de uma piada vinda de cima mais prolongada...
Comigo trabalhava também uma portuguesa do alto-Minho (acho que era de Lanhelas... ou talvez Fafe...). Que criatura engraçada. Era uma típica mulher portuguesa, com certeza, com um sotaque nortenho escandaloso e uma atitude que punha a malta toda em sentido. Largou tudo e veio para cá. O companheiro foi posto em cheque e neste momento vende pastéis de nata... os sacanas por acaso são bons...
A semana foi passada entre casa e trabalho. Acabei por ter uma vida bem mais agitada do que a que tenho em São Paulo, onde moro num hotel num bairro bem calmo a 10 min a pé do trabalho. No Rio o meu escritório era bem no centro da cidade, ia para o trabalho de metrô, café da manhã ao balcão com o resto da carneirada, uma data de procidementos de segurança para entrar no trabalho ou em casa, tudo à fruta na rua...
Pela primeira vez senti-me inseguro na rua. Andei a fazer o levantamento fotográfico da zona à volta da obra, só por acaso à porta de uma favela... e o dia foi chegando ao fim e eu em trabalho de campo... então era eu dentro do estaleiro de obra separado por grades da dita favela a tirar fotografias às casas à volta... e a malta a olhar-me com uma fome... e depois ainda foi um sarilho para apanhar um táxi...
Chegado o fim de semana: chuva. Enquanto esperava que a malta conhecida acordasse, cruzei o olhar com o Cristo e lá decidi ir ao ponto mais alto da cidade para carimbar o maior número de sítios e inspirar-me para um programa à tarde... as expectativas não eram muito altas. Acho que o melhor ainda foi o caminho até lá, apanhei uma van e a subida do morro no meio do mato e das gentes até foi bem engraçada. Metade da malta com os braços abertos a imitar o redentor e a outra metade no chão para tentar apanhá-lo inteiro na fotografa. Um tipo com as costas largas como eu é normal que tenha problemas a movimentar-se nestes ambientes... Estive lá em cima 10 minutos...
Sem contar com convívios à noite não tive direito a mais nada... Havendo a hipótese de não voltar ao Brasil depois da Copa, estou a organizar-me para passar o meu último fim de semana no Rio... não posso sair daqui sem vestir uma sunga...
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| A varrer, com Botelho |
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| Mónica e pastel de nata |
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| Eu e Sara Sem-medo |
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| Nação Zumbi |
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| Vista do Cristo |
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| Pão de Açucar, ao longe |
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| Eu e o nazareno no avacalho. Que dois. |
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| O nazareno não há-de achar grande graça a estar em copos de shot... |
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| Eu e a minha colega Cristina Chai |
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| Depois de dois meses nesta vida ainda não consegui comer uma refeição normal nos restaurantes ao quilo. Tenho de aprender a controlar os meus impulsos. Pelo menos é uma alimentação variada. |
Inspiraste te bem nessa do "não mandas em mim, não és meu pai".....boa postura
ResponderExcluirAs palavras sábias (do teu ídolo) não sería mais uma cena deste tipo?
ResponderExcluirhttp://www.pinterest.com/pin/47358233555442878/
Ahahah Soubesse disso antes Krillin, soubesse disso antes... há mais?
ExcluirNão te sentes nada cómodo a tirar selfies sem estar de cuecas ou a defecar, e por isso pões a lingua de fora, como quem não se leva demasiado a sério "ah!, estou no avacalho", pois não?
ResponderExcluirBy the way, clássico Nazareno - sempre !
Por que me expões dessa forma? ...fico sem jeito...
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