sexta-feira, 29 de agosto de 2014

Esperas e desesperos

A ausência, da minha parte, pode ser lamentada... mas não justificada. Passei mal na última temporada, cansaços acumulados, expectativas frustradas, esforços inconsequentes, facadas nas costas e ameaças da direcção... tão bom... Tentei várias vezes escrever sobre coisas mais animadas mas acabava sempre em cóleras e lamentos... e não tinha grande energia para isso... Mas deixemo-nos de queixumes! Segundo a sabedoria do meu orientador de tese e de vida, a autocomplacência é a melhor amiga do fracasso. É uma das três frases que mais ecoam na minha cabeça: as outras duas são, por ordem crescente de frequência, " Os rijos não vacilam" e "Dá tranquilo... os teus não têm cheiro...".

É na partilha que nos fortalecemos.

Recapitulando:
Fomos contratados para fazer uns viadutos numa rodovia circundante de São Paulo. Ouvimos horrores do revisor de projecto e dono de obra, a entidade responsável pela construção, gestão e manutenção das estradas do estado de São Paulo.

Os malditos revisores são absolutamente intratáveis, não estando abertos a qualquer contra-argumentação ou discussão (nem nos recebem), e têm a empresa que nos contratou de tal forma na mão (são a sua grande teta) que ninguém ousa enfrentá-los. Qualquer atraso em qualquer projecto é penalizado com multas e com a suspensão de pagamentos de todos os projectos adjudicados ao cliente (todos!), o que representa a suspensão de uma grande fatia das receitas da empresa... Mimaram tanto o menino que criaram um monstro. Admito que subestimei o Maur'humorado...

Para além disso e pior do que tudo, são tecnicamente incapazes, reprovando boas práticas básicas de dimensionamento e espremendo todas as folgas de segurança até ao último ferro sem qualquer vergonha ou peso na consciência (suponho). Tudo bem que "boas práticas" de dimensionamento possam ser alvo de discussão, algumas mais do que outras, mas, para alguém que fale a linguagem de engenheiro, são facilmente compreensíveis as suas motivações e os benefícios decorrentes na qualidade da obra... uma vez muitas delas não são impostas pela Norma, que no fundo regula apenas aspectos relacionados com a verificação da segurança a situações de ruína e com a durabilidade (mas não com comportamento/performance), elas são descartadas sem discussão...
O cliente não tem sempre razão!, principalmente quando não é o próprio que assume a responsabilidade técnica do projecto (por acaso nós também não... mas isso é outra conversa).

Entre nós e o demónio está o coitado do nosso cliente que tem tido alguma dificuldade na coordenação e gestão do processo, sem coragem e estatuto para oferecer a míníma resistência aos caprichos do cliente e sem a bagagem técnica para perceber as implicações de certas decisões. Para além de ninguém querer irritar o menino, sinto que a nossa mais-valia técnica não é compreendida pela coordenação que a confunde com diferenças culturais... o que me ferve o sangue... Falta-lhes humildade para reconhecerem as suas limitações e aprenderem... eles têm alguma dificulade em aceitar que um país com a nossa dimensão e com os problemas que tem possa ser tecnicamente superior...

Fôssemos nós descomprometidos com a qualidade e a segurança da obra e este problema já estaria resolvido há muito, a resistência e a objecção a algumas decisões e imposições só resulta em desgastes e atrasos... e tensões... Entretanto as relações desgastam-se, o projecto perde qualidade, recebemos ameaças de multas e de cancelamento do contrato e a minha farta testa, para além de ter ganho algum terreno à cabeleira, achou que era boa ideia voltar à borbulhagem. Nojo.

Depois sinto que há jogos internos para nos porem daqui para fora. Na cara elogiam o esforço que temos feito para lidar com um cliente luciférico, nas costas fazem difamam-nos e fazem queixinhas à direcção, que não tem outros olhos sobre o nosso trabalho que não os deles. Consta que sou difamado pela minha arrogância, teimosia e inflexibilidade (inacreditável...) e por ser frouxo (não dar conversa às garotas)...
Nunca, na minha longa e riquíssima carreira profissional, lidei com estes jogos de orgulhos e poderes...
Não será fácil de engolir eles estarem com falta de trabalho e a despedir pessoal e depois sermos nós a ficar com projectos em vez de eles ou de outros gabinetes de projecto brasileiros de amigos... É instinto de sobrevivência... não se pode dizer que seja injusto.

E não há um fim à vista... cada revisão de projecto traz sempre uma data de novas alterações e exigências... A última: as pontes são dimensionadas para várias acções (sobrecargas, sismo, vento, impacto de um veículo, temperatura, etc.), correspondendo uma das consideradas à passagem de um mega tanque de guerra de 45 toneladas. Estando o projecto em fase de conclusão (há um mês, para ser honesto), informaram-nos agora que afinal devemos considerar outro veículo de cálculo, nada mais nada menos do que um animal com 520 toneladas... só 12 vezes mair pesado do que o anterior... tendo em conta as quase inexistentes folgas de segurança, o trabalho deve ir quase todo para o galheiro... ainda não sei como devo reagir... mas desconfio que vou ser difamado...
Não é exactamente o animal... mas aparentado, sem dúvida... Apesar de tudo, não consigo deixar de me babar todo por este menino...

É bom que saia mais forte desta macacada. E que um dia seja capaz de rir disto... pode ser que me tenha feito homem, finalmente.

Bairro japonês

Soubesse eu da banhada...

O cara não era particularmente talentoso
Descarregando o istressi
Cachaça mineira


Vendo bem, não faz grande sentido estar eu a agarrar na cabeça...



Não tive escolha... ameaçaram os meus amigos e familiares


A melhor cena que já comi em toda a minha vida... nigiri de atum braseado com foie gras e azeite trufado... achei que merecia... inacreditável...


Saké quente 


Bacalhau

O luxo e o requinte à mesa

Feijoadão




quinta-feira, 28 de agosto de 2014

Comportamento ao fogo de betões produzidos com agregados de resíduos plásticos seleccionados

Comportamento ao fogo de betões produzidos com agregados de resíduos plásticos seleccionados, lembram-se?
Depois da penosa espera, eis que o menino Zé publica o seu primeiro artigo em revistas internacionais (só na ilustríssima Cement and Concrete Composites), destacando-se ainda mais dos seus irmãos na grande competição pelo orgulho maternal, não apenas pela riqueza e pertinência do trabalho realizado mas principalmente pela entrada estreante na secção "Contribuições para um mundo melhor". Se dúvida alguma houvesse em relação a este assunto, inevitavelmente ela desvanece-se perante a dimensão do feito.

20 dias de download gratuito do pdf no link apresentado, sem necessidade de qualquer registo. Imperdível.

http://authors.elsevier.com/a/1PSaL3Q2WYKrr2

quinta-feira, 29 de maio de 2014

Rio de Janeiro

Não podia ter apanhado pior altura para chegar. Cheguei no primeiro dia da empresa nas novas instalações: grande confusão, caixas para uma lado, caixotes para outro, telefonemas aos gritos, reuniões em open spaces, sem computador para mim, sem internet para ninguém: tudo à mocada. Pior: tínhamos internet, mas lenta ao ponto de revelar a natureza luciférica que habita adormecida em cada um de nós... até ser invocada...


Palavras sábias de uma das grandes referências da minha vida
No final das arrumações houve tempo de confraternização e de boas vindas ao novo espaço, com direito a discurso do CEO no meio da malta ao nível do discurso do Presidente dos EUA no Dia da Independência... ou mesmo n'O lobo de Wallstreet. Tudo maluco no final, abraços, hurras, melos... até eu admito que talvez me tenha entusiasmado com as palavras do tipo e tenha gritado Oh Captain, my Captain em cima da mesa...

Tenho vindo a realizar que tenho sérios problemas com a autoridade imposta. Estava eu bem habituado à estrutura horizontal das novas soluções de engenharia e à sensatez e abertura da capitania à discussão... e cá já foram tomadas várias decisões erradas apesar da minha contra-argumentação (fortíssima), já me impuseram prazos insensatos e, veja-se, já me deram até um par de ordens... Não podia ser de outro jeito numa empresa grande, mas faz-me alguma confusão esta hierarquia muito marcada, malta a dar ordens a outra. Enquanto que a dívida eterna que tenho com a minha mãe me obriga a prestar-lhe vassalagem sem ripostar, com estes tipos estou entre o cliente tem sempre razão e o não és meu pai, não mandas em mim... Talvez tenha passado uma ou outra vez das marcas... já me responderam até Nossa... você é muito directo... O tipo acima de mim no Rio era algo nervoso, a falta de internet/arquitectura actualizada e as responsabilidades delegadas pelo seu superior que estava de férias davam cabo do pobre coitado. Então mandava-me repetidamente fazer coisas que não me competiam... INDOMÁVEL!! 
Admito que o meu sorriso diplomático já foi mais rasgado e a gargalhada de uma piada vinda de cima mais prolongada...

Comigo trabalhava também uma portuguesa do alto-Minho (acho que era de Lanhelas... ou talvez Fafe...). Que criatura engraçada. Era uma típica mulher portuguesa, com certeza, com um sotaque nortenho escandaloso e uma atitude que punha a malta toda em sentido. Largou tudo e veio para cá. O companheiro foi posto em cheque e neste momento vende pastéis de nata... os sacanas por acaso são bons...

A semana foi passada entre casa e trabalho. Acabei por ter uma vida bem mais agitada do que a que tenho em São Paulo, onde moro num hotel num bairro bem calmo a 10 min a pé do trabalho. No Rio o meu escritório era bem no centro da cidade, ia para o trabalho de metrô, café da manhã ao balcão com o resto da carneirada, uma data de procidementos de segurança para entrar no trabalho ou em casa, tudo à fruta na rua...

Pela primeira vez senti-me inseguro na rua. Andei a fazer o levantamento fotográfico da zona à volta da obra, só por acaso à porta de uma favela... e o dia foi chegando ao fim e eu em trabalho de campo... então era eu dentro do estaleiro de obra separado por grades da dita favela a tirar fotografias às casas à volta... e a malta a olhar-me com uma fome... e depois ainda foi um sarilho para apanhar um táxi...

Chegado o fim de semana: chuva. Enquanto esperava que a malta conhecida acordasse, cruzei o olhar com o Cristo e lá decidi ir ao ponto mais alto da cidade para carimbar o maior número de sítios e inspirar-me para um programa à tarde... as expectativas não eram muito altas. Acho que o melhor ainda foi o caminho até lá, apanhei uma van e a subida do morro no meio do mato e das gentes até foi bem engraçada. Metade da malta com os braços abertos a imitar o redentor e a outra metade no chão para tentar apanhá-lo inteiro na fotografa. Um tipo com as costas largas como eu é normal que tenha problemas a movimentar-se nestes ambientes... Estive lá em cima 10 minutos...
Sem contar com convívios à noite não tive direito a mais nada... Havendo a hipótese de não voltar ao Brasil depois da Copa, estou a organizar-me para passar o meu último fim de semana no Rio... não posso sair daqui sem vestir uma sunga...


A varrer, com Botelho


Mónica e pastel de nata

Eu e Sara Sem-medo

Nação Zumbi


Vista do Cristo
Pão de Açucar, ao longe


Eu e o nazareno no avacalho. Que dois.

O nazareno não há-de achar grande graça a estar em copos de shot...

Eu e a minha colega Cristina Chai




Depois de dois meses nesta vida ainda não consegui comer uma refeição normal nos restaurantes ao quilo. Tenho de aprender a controlar os meus impulsos. Pelo menos é uma alimentação variada.

sábado, 3 de maio de 2014

Regressos e a perda da minha inocência

A semana em Lisboa foi curta mas muito rica. É bom estar de volta aos seus. A desilusão de não ter o meu quarto requalificado foi rapidamente suplantada pela fartura da mesa. Pelos vistos comer começa a ser um dos grandes prazeres da minha vida... devo estar a ficar adulto! Acho que comi peixe todos os dias...
No primeiro dia achei que era boa ideia deixar cair a mota depois de uma entrada triunfante em frente a um par de norueguesas... Ainda tive de lhes pedir ajuda para levantar a mota... Uma vergonha...
No trabalho fui recebido como um ex-combatente, com faixas, lágrimas e salvas de tiros para o ar... E com um abraço cúmplice daquele-cujo-nome-nao-pode-ser-pronunciado... escusado será dizer que os níveis de produtividade disparam, superando até os números obtidos antes da minha partida.
Devia ter feito um piquenique de despedida...

O regresso a São Paulo foi uma alegria. Como os sacanas pediram-me todos uma garrafa de vinho, fui recebido com samba e caipirinhas.
Esta segunda temporada provavelmente demorará mais a passar... o que era novidade deixou de o ser, continuo a comer todos os dias arroz com feijão e parece que estou a perder o magnetismo sobre as Ana Paulas desta vida.

Na quinta-feira estive com a Filipa Jalles. O seu companheiro trabalha cá e ela veio cá passar umas semanas. A minha viagem ao ponto de encontro foi uma animação: o taxista tinha um bafo a álcool tipo pirata, era ordinaríssimo, adepto da adrenalina ao volante e tinha acabado de instalar uma  mini-televisão no táxi. Fui o tempo todo a rir-me, o tipo a abrir, a falar ao telefone, a falar de gajas, a mandar piropos às transeuntes, isto tudo enquando seguia comovido uma versão doblada do Titanic no novo dispositivo. Tendo em conta a felicidade do final, acho não se pode pedir mais do que isto.

Nunca mais me gabo da minha saúde de ferro. Das últimas três vezes que o fiz o meu sistema imunitário fez greve e eu fiz figura de parvo. Ontem estava febril e doía-me um pouco a garganta, hoje tinha a cabeça a rebentar, sem conseguir engolir e a deitar sangue das orelhas... De forma a não comprometer a minha ida para o Rio na segunda feira, lá me convenceram a ir a um hospital onde a tia da minha amiga Juliana é médica, evitando assim a espera e os horrores do sistema de saúde público. Sugeriram-me, para efeitos imediatos, uma injecção intra-muscular de uma cena qualquer... na bunda... Um homem de facto não foi feito para estas coisas... a posição... a exposição...a massagem relaxante... e ainda por cima aquela porcaria doeu-me para caramba, até gani! A sensação é parecida com uma mega cãibra (cãibra x 10^6) no rabo... até tive de ficar sentado de cabeça para baixo durante uns bons minutos para não perder os sentidos... ainda não ando direito e só consigo sentar-me na nádega esquerda.

Parece que o meu maninho já publica artigos em nome próprio em espaços de debate internacionais. Desafio-vos a dar uma espreitadela... o sacana é bom...

http://one-europe.info/how-ukraine-s-crisis-surprised-the-naïve-west



Peixaço no retiro do pescador

Chico e Kika em troca de carícias




sexta-feira, 18 de abril de 2014

Fim da primeira parte

A vida vai ganhando contornos de rotina. 
Nos fins- de-semana tenho passado as tardes a ler numa esplanada ou num restaurantezeco com música ao vivo. Tenho feito uma vida boa. Passeio ou corro pelo Ibirapuera, tomo um copo com os amigos, vou a concertos, vou a museus, vou ao teatro (vá, fui... não vou desde a relatada surpresa erótica da última vez), até para a noite eu vou! Ainda vou ter de perceber como é que vou tendo mais tempo livre que em Portugal, mesmo saindo mais tarde do trabalho, fazendo o jantar, lavando a roupa e ter sido campeão e MVP na minha primeira época na NBA, com o maior número de pontos marcados e terceira melhor marca de assistências (e a minha mãe ainda me acha um inútil)... 
Profissionalmente tem sido violento, sendo o meu trabalho essencialmente diplomático, tanto com o cliente como com o dono de obra, sendo que ambos têm sido inacreditavelmente difíceis de lidar. Há-de me fazer bem.

Acho que seria capaz de morar cá, pelo menos até à procriação. A música deles é muito boa, a noite deles é melhor que a nossa (fui no outro dia a uma balada de música sertaneja: inacreditável) … As pessoas são muito a minha onda, malta de sorriso pronto, conversa fácil e a queda para a brincadeira. Será escusado dizer que sou a delícia do batalhão da limpeza lá da empresa (a Leonor deve estar a adorar esta parte... nada temas) …
Por outro lado, pecam pela pouca variedade da comida (todas as semanas o cardápio dá a volta), pelos preços (o do vinho é proibitivo para um mão-de-vaca como eu), pelo caos e pelas distâncias, que acabam por resultar no certo isolamento das pessoas... Tudo é longe. Estou "bein pertxinho do metrô"... o tanas: demoro 25 min em passo marchado.
Como é que se namora numa cidade como esta? "Só dá pra namorá com vizinho ou colega", e entenda-se como vizinho aquele que mora num raio de meia hora de carro. Nossa…
Todas as semanas há um dia (dos úteis) que o teu carro não pode circular nas horas de ponta. O controlo é feito electronicamente. No fundo, estamos teoricamente a reduzir o trânsito em 20% (há quem compre um segundo carro só para contornar isto), e mesmo assim é um caos e uma agressividade de trânsito como nunca vi. Cada um por sim, tudo coladinho, aquele respeito sul-americano pelo peão... Admito que nos primeiros três dias, se não fosse uma mão amiga já tinha provado um pára-choques brasileiro. 

Socialmente é o país mesmo partido e envergonhado com o seu próprio andamento, um pouco como Portugal mas sem glórias passadas. Brasileiro tem vergonha do seu povo: da violência, da falta de seriedade, da corrupção, da falta de educação, da superficialidade, da governação... Apesar da imagem passada para fora de um Brasil em ascensão, a malta acha que isto é tudo fachada para atrair investimento estrangeiro e que há-de rebentar num futuro próximo. É incrível que o pessoal da empresa onde estou tem mais medo de não ter trabalho no próximo ano do que nós… A ver se desenvolvo mais este tema numa próxima oportunidade.

No outro dia fui aos karts com a malta da empresa. Era o meu bom nome e da minha pátria que estava em jogo: assunto sério! É nestes momentos que um indivíduo se supera e faz a história! ... ou assim pensava eu... Fiquei na 25ª posição em 30, sendo que atrás de mim ficaram duas raparigas e um tipo que a vomitar à beira da pista na passagem da recta para a curva e contra-curva beira a partir da 6ª volta...

Hoje regresso a casa, para uma semana de carnificina de saudades dos meus e da boa mesa. Chega assim ao fim a primeira parte da aventura.

Até loguinho.

Ibirapuera


Ibirapuera

Saco de ratos

Esta cena até ronronava se lhe tocássemos

Arte viva

Ainda não sabia da miséria da minha prestação, obviamente



sexta-feira, 11 de abril de 2014

Fim de semana médio em Buenos Aires

Quinta-feira segui para Buenos Aires para visitar a minha querida irmã e celebrar o nascimento do Rodolfo (30 anos porra!!). Apanha o táxi, apanha o ônibus, apanha o avião, aterriza el avión, toma el bus, toma el remis... Que se lixe a riqueza da viagem: venha o destinho!
Mesa composta à minha espera. Catarina, Rodolfo, Pedro Garcia, Marjolein, António... e vinho tinto... ai, a saudade... O Pedro Garcia é um amigo do Rodolfo que se atirou de mortal empranchado com pirueta e meia para Buenos Aires para trabalhar e que já vai fazendo parte da família. Marjolein, no fundo, é o nome do metro e noventa de holandesa+rastas que se mudou para casa da Catarina nessa mesma semana. O António é mais um dos mendigos que vai dormindo no chão da sala da Catarina e que é irmão da companheira do Borges (nome fictício para protecção do visado), um colega  meu do trabalho (não mais do que isso). E eu que começava a descobrir que o mundo afinal era grande como o amor que nutro pela minha mãe... Parece que a irmã do dito vira-lata fez a agenda com que eu prendei a minha irmã. Aproveito o espaço para promover o seu trabalho - http://carapauamarelo.com
O Rodolfo quis-se bonito para o seu aniversário (30 anos porra!). Fomos a um barbeiro, daqueles como no tempo dos antigos, num daqueles centros comerciais em fim de vida, sem luz natural e onde a felicidade fica à porta. O artista e dono do estabelecimento, Luis Peinado (que quer dizer penteado - o tipo nem teve hipótese de escolha), herdou o apelido e o talento do pai e abraçou a arte capilar. O tipo era meio chanfrado e estava uma vez e meia bebido, e falava com uma musicalidade e uma calma que adocicava mesmo os corações mais amargos.
O primeiro a enfrentá-lo foi o Pedro que, não convencido ou pelo ar alucinado ou pelo ar que saía da boca do artista, jogou seguro no clássico à máquina. Depois de discutirem o tamanho do pente a aplicar na dita, o tipo guarda-o e corta o cabelo com a máquina sem pente (como que a zero), sendo a medida do cabelo controlada com a ajuda de um pente comum. O tipo era de facto talentoso... mesmo regado... talvez lhe aguce o engenho!
Por insistência do próprio, jogámos 30 pesos no número 30 da lotaria do centro comercial... parecia aposta certa... perdemos tudo!
À noite fomos jantar para celebrar o nascimento do Rodolfo (30 anos, porra!): bifalhaço não temperado com a malta da casa (o Rodolfo não tem amigos...). Seguimos dali para festa num terraço de uns amigos comuns que também festejavam seu o aniversário (tipo festa Erasmus Catarina, há que assumi-lo sem vergonha). Não sei se a energia da nossa dança ou a presença do metro e noventa de holandesa na equipa inibiram a malta, a verdade é que pisto-dance foi nosso! Não dançava assim há muito. Fica o aviso: cumbia é assunto sério. Para os que já tinham desistido de mim, cheguei a casa às seis da manhã e ainda voltei a sair para comer umas empanadas...
Foi como mais um fim de semana, sem grandes planos, apenas tempo de qualidade com malta de qualidade. Posso estar mal habituado ao sorriso pronto dos brasileiros, mas fez-me alguma confusão os hola's sisudos que recebi de troco...
Foi médio.

Eles estão bem. A aventura a dois é outra coisa.






yaa...

O regresso da noite

Gringos no gamanço